As diferenças entre prata de lei, prata fina, bimetal e banho de prata

Muitas pessoas, quando começam a fazer bijutaria e jóias lutam com a questão de que metal usar. Eu comecei com cobre e depois com fio colorido para artesanato até decidir que a minha cor preferida era a da prata.

Desde então fiz peças tanto em prata de lei como em cobre com banho de prata. Recentemente adquiri também fio em bimetal ou “silver filled” para experimentar e penso que é um bom compromisso entre os outros dois para algumas peças, especialmente de wire wrapping.

Ainda uso cobre e latão porque gosto de misturar as cores dos metais e posso soldar e trabalhar estes metais da mesma forma que a prata, mas deixei de usar o fio colorido porque a camada de cor sai facilmente.

Neste artigo vou mencionar principalmente os diferentes tipos de fio de prata mas os mesmos princípios aplicam-se também ao fio de ouro.

Comecei com fio de cobre com banho de prata mas este é considerado amador e não dura muito porque a camada de prata é muito fina e acaba por desaparecer com o uso constante. É a opção mais barata mas também a que tem mais limitações em termos das técnicas que se podem utilizar – não se pode soldar, derreter as pontas ou polir convenientemente sem retirar a camada de prata da superfície. Mesmo martelar tem de ser feito com cuidado.

Infelizmente este material é muitas vezes uma necessidade por motivos de custo. Quando a economia está má os clientes não gastam tanto em items considerados não-essenciais. Outros clientes querem só uma peça para usar numa única ocasião ou durante uma estação e não estão preocupados com a durabilidade. Se os seus clientes forem deste tipo, o banho de prata pode ser uma boa opção desde que se compreendam as limitações do material. Items como brincos ou pregadeiras duram mais tempo porque roçam menos nos tecidos e não andam a bater contra as coisas como os anéis, pulseiras e até pendentes.

Na ponta oposta do espectro temos a prata de lei. Quando comecei a fazer bijutaria tinha um certo receio de usar prata e mesmo hoje em dia há alturas em que prefiro fazer uma primeira versão em cobre para resolver questões técnicas antes de usar a prata, mas depois de anos de treino em joalharia, e sabendo que os restos podem ser reutilizados, já não tenho medo de trabalhar a prata. Hoje em dia o ouro passou a ser a barreira que geralmente só atravesso se for por encomenda.

A vantagem da prata de lei e mesmo da prata fina é que se podem usar todas as técnicas mencionadas anteriormente – soldar, derreter, martelar e polir sem problemas. O custo do material é mais alto, certamente, mas investir em metais preciosos não é uma opção muito arriscada. Se a peça correr mal ou não for vendida é possível recuperar o metal – purificando-o o transformando-o num lingote – e fazer uma coisa nova, ou vender a prata quando o mercado sobe.

Ao derreter as pontas do fio de prata fina obtêm-se bolas mais perfeitas do que com prata de lei. Também oxida menos. O inconveniente é que é um metal muito mole e que deforma facilmente, por isso é melhor usar só para elementos decorativos e não é adequado para fechos, argolas ou outras peças que precisem de ser resistentes.

Para obter uma resistência o mais parecida possível à prata de lei com fio de prata fina é aconselhado subir um ou dois tamanhos na espessura do fio – Por exemplo, uma peça de 0,8mm em prata de lei deve ser feita em 1,00mm em prata fina para manter a forma da mesma maneira.

Os maiores problemas com o uso da prata são a nível legal. Muitos países, incluindo Portugal, requerem uma marca do fabricante, uma licença para venda de metais preciosos e uma marca de qualidade que é colocada pela contrastaria. Estas regras servem para proteger os clientes mas aumentam os custos de produção e são um problema para quem não tem ainda as qualificações suficientes para se enquadrar neste sistema.

É possível contornar o problema produzindo peças que estejam abaixo do peso legal que exige contraste – 2 gramas para Portugal – ou evitando mencionar o termo “prata” na descrição dos artigos, dizendo apenas que se trata de um “metal branco”, por exemplo. Não se pode ser acusado de enganar o cliente se não se vender nada como “metal precioso”. Pode não ser inteiramente correcto mas não é ilegal. O problema é que se torna complicado justificar o valor da peça.

Um meio termo é o bimetal ou silver filled. É um tipo de fio que tem um centro de metal comum que foi fundido a uma camada de prata na superfície. Mas ao contrário do banho de prata, esta camada superficial é bastante espessa. O conteúdo de prata numa liga de bimetal pode ser de 5, 10 ou 20% do peso total. Não é suficiente para ser considerado metal precioso e requerer marca de contrastaria mas tem uma camada de prata suficiente para permitir soldar, martelar e polir sem problemas. O custo é algures entre o banho de prata e a prata de lei. E para além disso, como a camada de prata é prata pura, também é mais resistente à oxidação.

Os maiores inconvenientes são que não é possível derreter a ponta do fim e se não for bem feito ou de qualidade, pode rachar ou descamar a superfície quando está a ser trabalhado. É importante então descobrir um bom fornecedor.

Estou a planear fazer algumas peças de wire wrapping em bimetal para dar alternativa às pessoas que não são fãs do fio de cobre mas também não querem pagar o custo da prata de lei.

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