Noções básicas sobre metais

Os metais preciosos, como o ouro e a prata, em estado puro são demasiado moles para fazer jóias porque deformam facilmente. Para tornar estes metais mais resistentes é necessário ligá-los com outros metais.

Prata

A prata é tipicamente ligada com cobre. A prata de lei tem então 925 milésimas de prata fina e 75 milésimas de cobre. O cobre na liga de prata é responsável pela oxidação da prata. Se quiser ler mais sobre oxidação e patina, procure a secção sobre cobre mais abaixo nesta página.

Recentemente apareceram ligas de prata que substituem algum do cobre por outro metal, como é o caso da liga Argentium. Nesta liga, a percentagem de prata é de 935 milésimas mas parte do cobre é substituído por germanium. A vantagem desta liga é que reduz drasticamente o escurecimento da prata, que é causado pela presença do cobre. Uma das desvantagens desta liga é que é muito quebradiça quando é aquecida e parte se for aplicada força quando está quente. É preciso deixar arrefecer ao ar em vez de mergulhar em água, como se faz com a liga de prata com cobre.

Também existem outras ligas de prata comuns, como a prata 835, que tem 835 milésimas de prata para 165 milésimas de cobre. Esta liga oxida mais rapidamente mas é usada, por exemplo, para fazer peças com o efeito revenido (técnica em que o topo do metal começa a derreter formando uma superfície rugosa com padrões interessantes).

A pureza da prata numa liga não é detectável a olho nu e é por isso que a prata comercializada nas ourivesarias e joalharias é marcada pelas contrastarias, para informar o consumidor sobre a pureza do metal da peça que está a comprar.

Ouro

As ligas de ouro podem conter mais do que um metal. O ouro é normalmente ligado com cobre e prata. 100gr da liga de ouro amarelo comum com toque de 19.2 quilates contém 80gr de ouro fino para uma liga de 10gr de cobre e 10gr de prata fina.

Para fazer ouro branco, utilizam-se metais como níquel e paládio. Devido ao grande número de pessoas com alergia ao níquel a liga com paládio é preferível. Quando a liga é feita com níquel, é comum dar-se um banho de ródio à peça, não só para servir como barreira entre o níquel e a pele mas também porque mesmo ligado com estes metais o ouro não fica completamente branco, especialmente quando tem uma percentagem mais alta de ouro fino. A desvantagem é que, com o uso, o banho de ródio vai-se gastando e ao fim de algum tempo é preciso reaplicar.

O ouro branco é mais rijo e quebradiço do que as outras ligas e por isso mais difícil de trabalhar. Tem tendência para rachar quando não é devidamente recozido. A foto abaixo demonstra o que acontece ao ouro branco ao ser laminado, quando não é devidamente recozido:

Ao contrário das outras ligas, o ouro branco com níquel deve ser arrefecido ao ar e não mergulhado em água. Para além de ser mais difícil de trabalhar o ouro branco, como o paládio é também um metal precioso caro, uma peça de ouro branco sai mais cara do que a mesma peça em ouro amarelo.

A percentagem de cada metal nas ligas de ouro é responsável pelo vasto leque de tonalidades que o ouro pode ter – verde, amarelo, vermelho, rosa, branco. Por exemplo, 100gr de liga de ouro vermelho com toque de 19.2 quilates contém normalmente 80gr de ouro fino, 16gr de cobre e 4gr de prata fina. No entanto, se queremos que o tom vermelho seja mais visível podemos eliminar a prata e ligar o ouro fino com 20gr de cobre. Desde que a percentagem de ouro para a percentagem de liga se mantenha, continua a ser ouro de 19,2k e podemos jogar com as quantidades dos metais da liga para mudar o tom.

Pela mesma lógica, o ouro verde é ligado apenas com prata, ficando com um tom mais frio.

Na foto abaixo podemos ver a diferença de cor entre um lingote de ouro rosa e outro de ouro branco

Ao ouro puro ou fino (de 999 milésimas) chama-se ouro de 24 quilates.
A liga com maior quantidade de ouro é a de 22 quilates, com 916 milésimas de ouro fino e 8,4% de liga.
Existem também ligas de:
– 19,2 quilates, com 800 milésimas de ouro fino (ouro Português) e 20% de liga,
– 18 quilates, com 750 milésimas de ouro fino e 25% de liga,
– 14 quilates, com 585 milésimas de ouro fino e 41,7% de liga,
– 9 quilates, com 375 milésimas de ouro fino e 62,5% de liga.

Endurecimento do metal

Ao trabalhar estes metais – martelar, dobrar, torcer – notamos que vão ficando mais duros e difíceis de moldar. Isso deve-se ao facto de estarmos a deformar a estrutura molecular cristalina do metal. À medida que o metal endurece, perde a elasticidade e torna-se mais fácil de partir. Este processo é muito fácil de confirmar: se dobrarmos e desdobrarmos um pedaço de arame no mesmo sítio diversas vezes, este acaba por partir.

Para evitar quebrar uma peça que está a ser forjada e para que o metal se mantenha maleável enquanto se trabalha é necessário proceder ao recozimento ocasional. O recozimento consiste em aquecer o metal a temperaturas entre 600ºC e 700ºC (dependendo da liga) e arrefecê-lo rapidamente, mergulhando-o em água fria. Este processo realinha a estrutura molecular do metal que pode então continuar a ser trabalhado. Este é um processo que requer um certo treino para saber quando parar antes de começar a derreter o metal.

Geralmente a dica visual é a seguinte: quando o metal fica preto, excepto no sítio onde a chama o atinge em que está na sua cor normal, chegou à temperatura certa e é altura de parar e mergulhar o metal em água fria. Se começar a ficar vermelho já está quente demais e vai começar a derreter. Outra forma simples de saber quando o metal está recozido é riscar a superfície com canetas de acetato. Quando a tinta desaparece, está na temperatura certa.

O endurecimento do metal é porém uma vantagem quando falamos de peças que tenham de suportar tensão, tal como fechos, anzóis de brincos, alfinetes de pregadeiras, etc. Para endurecer o metal de forma a evitar que ele deforme com o uso, podemos martelar a peça com um martelo de madeira, cabedal ou nylon ou torcer, no caso de fio. Nos brincos, torcer também ajuda a verificar se o espigão ficou bem soldado.

Opcionalmente, se formos fazer apenas uma peça de wire-wrapping que não requer soldadura, podemos sempre comprar fio de ouro ou prata com a dureza que necessitamos para a nossa peça. Existem no mercado muitas lojas que especificam qual a dureza do fio que vendem. Quando não é especificado, geralmente trata-se de fio meio-duro, que é o mais comum.

É de notar que a grossura do arame também influencia a sua dureza e facilidade de trabalhar. Quanto mais grosso for o arame mais resistência terá e mais difícil será de trabalhar.

Para além disso, os próprios metais têm durezas diferentes. O alumínio é muito mole, deforma facilmente e só pode ser soldado com ferro de soldar e não com maçarico. O aço é muito duro e o metal mais difícil de trabalhar. Todos os outros mencionados neste artigo encontram-se algures entre estes dois.

Cobre

O cobre não é considerado um metal precioso mas, para além de fazer parte das ligas de ouro e prata, é muitas vezes utilizado por si só em conjunto com os outros dois metais para dar cor a uma peça. A cor de cobre é muito bonita e este metal é utilizado só por si há imenso tempo em adornos pessoais.

Há quem prefira a cor brilhante do cobre novo e há quem prefira o cobre mais escuro, depois de algum tempo de oxidação. Esta oxidação acontece naturalmente e com alguma rapidez, através do contacto do metal com o oxigénio do ar. Se quiser ver como fica a peça oxidada, deixe-a ao ar durante uns dias.

Depois de oxidada, a peça pode ser limpa novamente, se quisermos que retome o brilho original. Para tal basta usar um produto de limpeza para jóias ou até simples ketchup. Pessoalmente gosto da mistura entre o tom oxidado e o tom original. Para isso costumo oxidar as peças e depois polir apenas os pontos altos, o que realça a textura das peças.

Também se pode escurecer a peça utilizando produtos químicos (patina) mas estes processos necessitam de alguns cuidados para segurança por parte do utilizador e de um ambiente bem arejado.

Uma alternativa mais natural para oxidar o cobre e a prata é o seguinte: cozer um ovo, cortá-lo em 4 partes ainda quente e fechá-lo, junto com a peça a oxidar, numa caixa ou saco de plástico durante umas horas. O vapor quente libertado pelo ovo oxida o metal.

Para manter a cor do cobre, seja o seu brilho natural ou a oxidação no estado que pretendemos, é necessário aplicar verniz ao metal. O verniz serve também para proteger o metal da humidade da pele.

O cobre não se dá bem com humidade, oxidando facilmente e criando uma película esverdeada que passa para a pele quando suamos e estamos a usar uma peça de cobre. Para evitar esta situação as peças de cobre podem ser terminadas com verniz para selar o metal. A altura para colocar o verniz depende do gosto de cada um relativamente ao nível de oxidação do cobre.

Dar ao cobre uma cor verde também pode ser feito propositadamente, com uma mistura de químicos como lixívia, vinagre, sal ou amoníaco. Há receitas online para quem quiser experimentar. Mais uma vez, a segurança é essencial quando se trabalha com estes químicos.

O verniz deve ser misturado com diluente para ficar bastante líquido. De outra forma arriscamo-nos a ficar com gotas suspensas do metal e uma camada demasiado espessa de verniz em zonas texturadas. Também se pode aplicar verniz em spray, que permite camadas mais finas e maior controlo na aplicação. Pode ser necessário reaplicar o verniz ao fim de algum tempo se a peça for usada com muita frequência.

Quando é recozido, o cobre torna-se muito mole e maleável. Quando é trabalhado endurece e fica mais resistente do que a prata ou o ouro, razão pela qual é usado para estas ligas.

Cobre pode ser soldado com solda de prata. A desvantagem é que fica uma linha prateada no sítio da soldadura. Um banho de cobre é utilizado muitas vezes para disfarçar esta linha. A patina também ajuda a disfarçar a diferença de cor.

Também existe solda de cobre de canalização mas não corre tão bem como a solda de prata e também não é completamente da mesma cor do cobre. A solda de canalização é uma mistura de cobre com fósforo ou prata. Não recomendo o seu uso para jóias.

Latão

O latão é uma liga metálica de tom amarelo, formada por cobre e zinco. O zinco funde a uma temperatura mais baixa do que os restantes metais aqui mencionados e é utilizado também na solda de prata, por exemplo.

A cor amarela do latão é mais fria do que a do ouro mas, tal como o ouro, é possível criar tons diferentes de latão ao mudar a quantidade de cada metal na liga.
Quando oxida, o latão fica com um tom acastanhado mas quando é polido fica com um tom muito bonito e que combina bem com o cobre ou a prata.

É um metal mais rijo do que o cobre, mesmo quando recozido. Pode ser soldado e trabalhado da mesma forma que os outros metais acima referidos. A solda de prata também pode ser usada com latão.

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