A minha bebé já sabe ler

E pronto, assim chega mais uma fase do crescimento. De um dia para o outro a Joana já começa a juntar sílabas e a conseguir ler palavras e pequenas frases. Já não tenho bebés 🙂

Oxidar cobre ou prata com sulfureto de potássio

Criei um video sobre a oxidação ou aplicação de patina em cobre ou prata.

O produto químico utilizado chama-se sulfureto de potássio, também conhecido como fígado de enxofre. No seu estado natural é formado por umas pedrinhas que podem ser dissolvidas em água quente mas também se comercializa já diluído, em estado líquido ou em gel. Eu utilizo a versão líquida.

Aconselho a utilização de luvas, avental e eventualmente máscara quando se trabalha com este ou outros químicos. É essencial utilizar o sulfureto de potássio num local bem ventilado porque o cheiro é muito forte e desagradável e a inalação é desaconselhada e pode causar dores de cabeça ou até tonturas.

As instruções dizem para misturar uma pequena quantidade do líquido com água quente mas ao fazer isso o sulfureto de potássio perde a força rapidamente e serve apenas para uma única aplicação. Parece-me um desperdício muito grande porque normalmente só preciso de oxidar uma ou duas peças de cada vez, por isso costumo usar o líquido directo da garrafa, sem diluição adicional. Assim, o que sobra pode ser deitado de volta para o frasco e não se perde tanto de cada vez.

Em vez de aquecer a solução aprendi que aquecer o metal funciona igualmente bem. Pode-se colocar o metal em água quente ou aquecer com o maçarico e depois mergulhá-lo no líquido ou utilizar um pincel para cobrir o metal com o sulfureto de potássio. A técnica do pincel é particularmente indicada nas situações em que só queremos oxidar certas zonas de uma peça.

Ao por e tirar o metal dentro da solução de sulfureto de potássio devemos evitar a utilização de utensílios ferrosos, tais como pinças ou alicates de ferro ou aço, porque o metal reage com o químico, que é corrosivo, e vai enferrujar. O ideal é usar pinças de plástico ou latão.

No final deve-se lavar muito bem o metal para soltar as pequenas partículas que se formam na superfície do metal. Mergulhar a peça numa taça com água limpa e duas colheres de bicarbonato de sódio ajuda a parar a reação química, neutralizando o sulfureto de potássio.

Também se deve misturar bicarbonato de sódio para neutralizar restos da solução antes de a deitar pelo cano. Eu deito os resto num frasco até passar de amarelo para incolor, assim sei que o líquido já não está activo e se pode deitar fora sem risco de corroer a canalização.

Escala de Mohs – dureza de minerais, metais e outros materiais

Quem trabalha com minerais tem noção que há uma diferença de dureza entre pedras. No trabalho de joalharia é importante perceber quais são as pedras mais e menos resistentes a danos, tanto durante o processo de produção como durante o uso da peça depois de terminada.

Por exemplo, ao cravar um topázio podem-se limar as pontas das garras sem perigo de danificar a pedra mas o mesmo não ocorre com uma turquesa ou uma pérola. Isto deve-se ao facto do topázio ser mais duro do que o metal da lima enquanto a turquesa é mais mole.

Percebi que passava imenso tempo à procura desta informação, quando trabalhava com minerais menos comuns, e por isso resolvi criar um documento onde juntei, por ordem de dureza da escala de Mohs, os minerais, metais, abrasivos e outros materiais que achei úteis. Como é particularmente difícil encontrar este tipo de informação em Português, dei-me ao trabalho de traduzir os nomes dos materiais para facilitar a vida a quem quiser pesquisar mais informação sobre um determinado mineral.

Aqui está então o resultado dos últimos dias de trabalho de pesquisa:

Escala de Mohs em Português.

Podem também consultar a versão inglesa se necessário para efeitos de pesquisa:

Escala de Mohs em Inglês.

Espero que seja útil.

Recozer arame

Fiz um video que mostra como recozer arame de cobre fino. O mesmo método pode ser utilizado para recozer prata e latão. Para recozer arame mais grosso convém enrolar o arame em espiral e atar com fio de ferro para evitar que a espiral abra à medida que o arame aquece.

No vídeo utilizo uma base de soldar perfurada e outra branca mas não é preciso ter as duas. A base também pode ser um tijolo ou azulejo resistente ao calor com um carvão por cima. Só deixei de usar o carvão porque queima muito rapidamente.

Utilizo uma chapa de aço para proteger a madeira da minha mesa, por baixo da zona de soldadura, para o caso do metal quente cair para fora da base de soldar. Tenho também tijolos resistentes ao calor a rodear a base de soldadura para concentrar o calor e evitar acidentes.

O maçarico de mão que uso no video é da Clarke Weld e foi encomendado de Inglaterra. Qualquer maçarico serve para este efeito desde que permita controlar a intensidade da chama. A chama deve estar relativamente baixa para evitar que o arame derreta. Convém também manter a chama em movimento constante para aquecer o metal uniformemente.

Depois de recozer o metal, coloco-o no líquido de branqueamento aquecido, que é um ácido. Originalmente utilizava-se ácido sulfúrico mas hoje em dia utilizam-se ácidos mais fracos e mais seguros, que já não deixam buracos na roupa nem grandes queimaduras na pele. O meu branqueamento está num contentor eléctrico com termostato que mantém a temperatura constante. Um contentor de pirex sobre um fogão de campismo ou chapa portátil eléctrica também funciona bem mas é preciso ter atenção para não deixar aquecer demasiado porque o ácido queima e torna-se inútil.

Uso uma escova de dentes macia para lavar o arame depois de branquecer porque não quero que endureça novamente com demasiada fricção. Para chapa metálica, que não sofre deste problema, utilizo uma escova de latão (catrabucha).

Aqui está o video (em inglês):

Dicas para wire weaving – sampler e formas de segurar os arames

Recentemente tenho voltado ao trabalho em arame.

A joalharia é muito gira mas requer estar sentada na bancada, com a gaveta aberta sobre as pernas, a serrar, limar, polir, etc. Às vezes apetece-me variar com algo que não requer tanto material ou postura tão rígida. O trabalho em arame é ideal nesse sentido. Só preciso de arame e dois alicates. Posso sentar-me no sofá a ver tv e vou fazendo uns pendentes. A técnica de wire weaving (tecer com arame), em particular, é algo demorado e repetitivo e é sempre bom ter alguma distração para parecer menos trabalho.

Para me ajudar no início de um projecto de wire weaving, em particular a escolher o padrão que quero usar, fiz um sampler das várias tramas. Quem conhece os meus posts anteriores sabe como gosto de ter tudo organizado e fazer samplers dos materiais, cores, pedras, etc, que tenho disponíveis.

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Quando começo uma peça nova, especialmente quando tenho de trabalhar com muitos arames ao mesmo tempo, gosto de usar o punho de madeira para segurar os arames. Dá estabilidade e poupa-me as mãos que, sem aquilo, têm de fazer muita força para não deixar fugir os arames.

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Este punho de madeira é muito usado na joalharia para segurar anéis ou pequenas peças de chapa metálica enquanto se lima, mas é também uma grande ajuda para quem trabalha com arame.

A alternativa mais usada por quem não tem esta ferramenta é prender os arames com fita de pintor. Outros utilizam pinças ou grampos e até forceps cirurgicos. É preciso sem criativo para poupar os dedinhos.

O mito do feminino

Sabemos que as mulheres estão constantemente a ser bombardeadas com imagens dos media que as tentam a toda a força convencer que há qualquer coisa errada com o seu corpo, cara, estilo de vida, etc. Fazem-no para vender produtos – roupa, cosmética, etc – mas alguma vez pensaram na raiz do problema? O que deu origem a esta imagem deturpada do feminino?

É muito simples. Vivemos numa sociedade baseada na ameaça de violência física. Os homens são, na generalidade, fisicamente mais fortes do que as mulheres por isso eles é que ditam as regras. E as mulheres é bom que obedeçam, senão…

Não quero com isto dizer que a maioria dos homens ande por aí a pensar nisto e a tentar fazer as mulheres cair no molde. É mais subtil que isso. É algo que se tornou norma há tanto tempo que já ninguém pensa nisso, especialmente os homens.

As mulheres passam o tempo a tentar encaixar nas noções deturpadas de feminino porque todos queremos que gostem de nós. É uma necessidade humana básica. E quando crescemos com o mundo a dizer-nos que para gostarem de nós temos de ser bonitas e atraentes, não é difícil perceber de onde vem tanto empenho para chegar ao “ideal” que nos é imposto.

Essa ameaça física também funciona entre os próprios homens, que estão sempre em modo competitivo para provar que são mais fortes, viris, ricos, espertos, competentes, do que todos os outros. É o chamado “dick waving”. É a origem da maioria dos conflitos humanos desde sempre, até os da religião. Citando o fabuloso George Carlin, “My god has a bigger dick than your god”.

Como são fisicamente mais fortes, os homens definiram o que é “ser homem”, ou seja, as características da masculinidade. Não é uma lista realista ou fácil de atingir, que resulta no conflito mencionado anteriormente.

Por contraste, e porque as coisas são mais fáceis de digerir quando encaixam em categorias bem definidas, os homens definiram também o que é o feminino. Mas não se basearam nas mulheres. A ideia de feminino vem apenas do contraste com o masculino. Ou seja:

Os homens são fortes e grandes portanto as mulheres têm de ser fracas e magras

Não interessa que haja mulheres mais fortes do que alguns homens. As mulheres não podem ser musculosas porque isso “não é atraente”. Como as regras são feitas pelos homens, ser atraente deve ser sempre a primeira prioridade da mulher. Portanto as mulheres são encorajadas a manter-se em forma, para não ficarem gordas – a maior ofensa que uma mulher pode oferecer à sociedade, aparentemente – mas sem nunca desenvolver músculos visíveis porque isso já não fica bem, é feio etc. É também uma forma de ter a certeza que as mulheres não se tornam uma ameaça ao poder masculino. Por contraste, os homens podem ser gordos à vontade sem ofender ninguém porque um homens grande, seja com músculo, seja com gordura, é visto como forte e protector.

Até o vestuário e calçado feminino considerado mais atraente tem sido, ao longo da história, feito para manter a mulher controlada. Não se pode fugir de um atacante quando se usam saltos altos, saias até aos pés, espartilhos, etc.

Os homens são altos, por isso as mulheres são baixas

São inúmeras as histórias que já ouvi de mulheres a queixarem-se, com desgosto, que cresceram de repente na adolescência e ficaram mais altas dos que os rapazes todos. Que andavam dobradas para parecer mais baixas. Uma característica que nos homens é assumida com orgulho, nas mulheres é razão de ansiedade e vergonha.

Os homens desenvolvem pêlos no corpo e rosto na puberdade, por isso as mulheres devem ter uma ausência total de pêlos

O tempo que uma mulher passa a fazer depilação é escandaloso. Chegou-se a um ponto em que nem a zona púbica se escapa, e se restam alguns pelos nessa área é preciso dar-lhes nomes tipo “landing strip” que fazem questão de sublinhar que só lá estão para chamar a atenção masculina para a zona genital, tipo seta em neon.

Os homens são inteligentes por isso as mulheres são parvinhas e ingénuas

Já ouviram piadas de loiras? Pois. E não há homens loiros no mundo? Claro que sim, mas aparentemente só as mulheres são atacadas pelo gene da estupidez. Porquê? Porque o cabelo loiro é considerado atraente mas uma mulher com opiniões e vontade própria não é, portanto as mulheres “desejáveis” têm de ser reduzidas a bonecas insufláveis para não serem intimidantes.

As mulheres, quando falam, raramente são levadas a sério e têm de estar sempre a desculpar-se por ter opiniões. Quando dizem algo claramente inteligente que não agrada aos homens são criticadas pelo aspecto físico, como se uma coisa estivesse ligada à outra. São inclusivamente criticadas por outras mulheres por terem a audácia de se chegar à frente, como se a sua opinião de “mera” mulher contasse para alguma coisa. A nível profissional este tipo de pressão para calar a opinião feminina é extraordinariamente claro e visível. É a forma de controlo e rebaixamento mais frustrante com que uma mulher se depara.

Há muitos mais exemplos, mas acho que já chega para dar a ideia. Como espécie relativamente evoluída que somos ou acreditamos ser, acho que está na altura de acabar com estas noções arcaicas e construir um futuro de maior igualdade.

Tutorial: Pendente chave – cravação em coroa

Esta foi a peça onde comecei definitivamente a juntar as técnicas de joalharia ao design com os elementos e temas com que mais me identifico. Todas as peças são criadas a partir de escolhas pessoais – se gostamos mais de formas com bicos ou só curvas, grande ou pequeno, etc – mas aqui começou a solidificar-se aquilo que considero o meu estilo de jóias: uma mistura entre chapa e fio, com a pedra lindíssima como elemento central, oxidação da prata e muito detalhe e textura. O tema da chave ornamentada vem da inspiração steampunk, que me atrai há muito.

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Como o exercício principal desta peça era criar uma cravação em coroa, comecei por escolher a pedra. Usei um topázio amarelo triangular que comprei na FIA há uns dois anos. A pedra foi cara mas gostei tanto do formato, cor e lapidação que não resisti a comprar. Uma pedra destas merecia uma peça especial, por isso desenhei diversas chaves até chegar a um projecto que me agradava. A “cabeça” da chave é também triangular, seguindo a forma da pedra.

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Comecei pela cravação da pedra, que iria determinar as dimensões do resto da peça. Apesar de ter feito o projecto à escala real, é sempre bom ter o elemento central primeiro para ter a certeza que não fica demasiado apertado no final. Sem a cravação é mais fácil fazer pequenos erros de escala se não tivermos experiência ou cuidado suficientes.

Para a coroa usei chapa de o,5 mm com a altura do pavilhão (parte de baixo da pedra, afunilada). Formei um triangulo com cantos arredondados, seguindo a forma e tamanho da pedra. Numa cravação de garras, esta base tem de ficar um pouco mais pequena do que a pedra porque as garras são soldadas por fora. No caso da cravação em coroa, o tamanho é um pouco maior. A pedra não pode caber completamente dentro da cravação mas quase.

Fazem-se cortes espaçados à volta da chapa, primeiro com a serra e depois com a lima triangular. Esses cortes são depois alargados e arredondados com uma fresa ou lima de meia cana, formando assim as garras e a forma de coroa. No enfiamento vertical das garras são também cortadas pequenas fendas em baixo que são igualmente arredondadas para dar a ideia de pequenos Us entre cada duas garras. Vai-se limando a chapa até a forma estar aperfeiçoada. Por fim limam-se linhas verticais no centro de cada garra para parecer que estas são mais finas e o resultado ser mais delicado.

Devo dizer que, pelo menos na primeira vez, este foi um processo demorado, de grande cuidado e paciência. Nos cantos, em particular o que tem a soldadura, é preciso muito cuidado para não limar demasiado porque o ângulo é maior e a lima tem tendência a gastar mais metal de uma só vez.

Assim que a forma está regular e redondinha, faz-se uma forma igual em fio quadrado de 1 mm que é soldado por baixo da chapa, servindo de base à coroa. É a este fio quadrado que vamos depois soldar os restantes elementos.

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Com a cravação feita foi a vez de começar a construir a chave. A estrutura geral foi feita em fio quadrado de 2 mm. Por dentro da linha curva do topo soldei um fio torcido. O torcido é feito a partir de dois fios de 0,8mm (ou um fio dobrado ao meio). Uma ponta é presa no torno e a outra no porta-cavilhas. Vamos rodando o porta-cavilhas, torcendo os fios e dando calor com o maçarico nas zonas que vemos que não estão a enrolar tão bem como o resto.

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O pé da chave foi feito com o mesmo fio quadrado de 2 mm e fio torcido. A junção do pé com a cabeça foi coberta com uma caixa composta por duas chapas de 0,5 mm em U curvas (uma em cima e outra em baixo) e duas paredes laterais, ou batas, com 0,8 mm de espessura. Primeiro soldam-se as laterais à chapa de base e só depois se coloca esta estrutura no sítio para soldar a “tampa”. Para conseguir que as laterais, ou batas, fiquem verticais sobre a base, faz-se uma só bata em U e depois de soldar ambos os lados desse U corta-se o excesso.

Esta parte foi a mais complicada porque a solda inicial, que fica por dentro, não se consegue isolar e volta a correr quando se aquece novamente, o que na primeira tentativa entortou a chave e foi preciso repetir o processo com maior apoio nessa zona. O ideal será soldar com a peça assente em gesso para ter a certeza que não mexe.

Por cima dessa caixa coloquei mais um fio redondo e outro rectangular, com fim decorativo.

Na zona de baixo da chave, em vez de dentes criei uma peça decorativa com caracóis e S em fio redondo de 1 mm. Soldei também três pequenas secções de fio rectangular com 1,5 mm de lado e 0,45 mm de espessura sobre o pé, para dar mais detalhe a essa zona.

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Com a estrutura montada foi a vez de fazer os caracóis em S que iriam ligar a cravação à estrutura. Foi um bocado como fazer filigrana só que com um fio mais grosso. Usei o mesmo fio de 1 mm para ter a certeza que a peça tinha estabilidade. Fiz também pequenas bolinhas de prata para preencher os cantos e dar um pouco mais de variedade (tudo isso já previsto no projecto inicial).

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Tendo o cuidado de isolar muito bem todos os caracolinhos com corrector, para não derreterem, soldei a cravação e por fim criei um L duplo em fio de 1 mm para servir de bilheira (peça de suporte por onde passa a corrente).

Para terminar a cravação é preciso fazer pequenos cortes no interior das garras para sustentar a pedra. Estes cortes têm de estar todos à mesma altura e não podem ser demasiado fundos para evitar que as garras se partam ao dobrar sobre a pedra. É um processo que requer paciência e rigor.

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A peça foi oxidada e depois polida. O óxido fica nas reentrâncias, dando mais profundidade e realce ao relevo. O ultimo passo é a cravação da pedra e polimento da cabeça das garras, assim como eliminar algum risco accidental que tenha ocorrido durante a cravação.

Para cravar a pedra empurram-se as garras com cuidado, uma a uma, até assentarem na pedra. Se alguma ficar muito no ar pode-se passar a serra entre o metal e a pedra para gastar mais um bocadinho. Isto só se deve fazer se a pedra tiver dureza suficiente. Se fosse uma turquesa, por exemplo, não se poderia fazer isso porque a serra riscaria a pedra. Para verificar se a serra é segura com determinada pedra, consulte a minha tabela de durezas na escala de Mohs. As lâminas da serra são geralmente feitas de aço temperado, pelo que andam à volta de um 7 na escala de Mohs. Isso quer dizer que já é arriscado usar a serra com uma ágata e completamente desaconselhado para pedras mais moles.

Fiquei muito satisfeita com esta peça e inspirada para fazer variações sobre o tema.

O fim de uma geração

Ontem fui ao funeral da minha avó Cândida, que morreu ao final da tarde de 3 de Outubro, com 96 anos.

Era a última avó que ainda me restava e uma das poucas pessoas verdadeiramente boas que conheci. Ficam-me as recordações de infância, dos verões passados com ela a aprender a costurar e a fazer malha e filhoses, da paciência e disponibilidade que tinha para os netos.

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Apesar da sua vida doméstica, simples e pacata, viveu em diferentes cidades e até continentes, e criou três filhos. Acreditava em partilhar o que tinha e ajudar os outros.

Foi difícil assistir ao seu declínio durante os últimos anos em que aos poucos foi perdendo as faculdades que lhe permitiam relacionar-se e comunicar com o mundo e em particular a família. Teve nas minhas tias, principalmente, um apoio constante e dedicado que lhe permitiu continuar em casa até poucos meses antes de morrer, altura em que o seu estado era já demasiado debilitado para o cuidado recair apenas sobre a família.

Ontem foi um dia triste mas de certa forma custava mais vê-la naquela fase terminal em que já não se reconhecia a pessoa que nós conhecemos e amámos. Acredito que teve uma boa vida, com família e amigos que gostavam dela e a respeitavam.

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